Tacadas de paciência

 

“É melhor um mau dia de golfe do que um bom dia de trabalho.” É assim que começa o papo com o presidente da empresa de auditoria Baker Tilly Brasil, Osvaldo Nieto. Apaixonado por esportes desde criança, o auditor acredita que só com a ajuda da atividade física é possível minimizar os problemas causados pelo estresse.

Argentino, Nieto mudou-se para o Brasil na década de 1970, depois de se formar na Universidade de Buenos Aires e já trabalhando para uma das quatro maiores empresas de auditoria do mundo, a PricewaterhouseCoopers. “Às vezes você não escolhe o que fazer, mas uma vez que está dentro, desfrute. Se apaixone. Se vai fazer mediocremente, não faça. A vocação de ninguém é ser medíocre.”

O esporte e a carreira de Nieto têm caminhos paralelos e que, por muitas vezes, se cruzam. Alguns anos após ter vindo para o país, Nieto resolveu participar de uma start-up de auditoria, que viria a se tornar a Trevisan, uma das maiores do ramo. “Éramos cinco sócios, uma secretária, uma copeira e um sênior. Era uma pirâmide invertidíssima, mas nos sentíamos os heróis do mundo e queríamos vencer.”

Foi nessa época que Nieto começou a praticar squash – o golfe só se tornou um hábito um pouco mais tarde e a paixão por futebol nunca o abandonou. Na hora do almoço, todos os sócios paravam para jogar por uma hora e deixar os problemas e decisões de lado. Porém, assim como a dinâmica ágil da partida de squash, o trabalho se tornou mais pesado e Nieto queria ter tempo para cuidar do filhos que ainda eram crianças e passar mais tempo com a esposa Mya.

“A experiência de você criar coisas, empreender, é fascinante.” E com essa ideia em mente, Nieto criou uma empresa que levava seu nome. A ideia era atender poucas empresas pequenas, mas uma reviravolta digna de final de campeonato mundial colocou outro tipo de cliente em seu caminho: o Bradesco e o grupo hoteleiro Accor. Ao mesmo tempo, Nieto se dedicava a dar aulas na Fundação Getúlio Vargas.

“Era um momento em que eu podia vivenciar a academia de vanguarda aplicada ao mundo empresarial e, ao mesmo tempo, construir um projeto novo.” Mal sabia ele, mas essa nova empreitada seria o embrião para a sede nacional da Baker Tilly – a empresa está presente em 137 países.

“Eu sou um cara de sorte. Eu acordo para fazer amigos, acordo de bem com a vida.” Esse mantra acompanhou Nieto no momento mais difícil de sua vida: enfrentar um câncer de garganta. O profissional, que nunca fumou ou bebeu, tomou um susto com o diagnóstico. A doença o levou a cirurgia e quimioterapia. Porém, nesse processo, Nieto conta que nunca pensou que não venceria a batalha. A mudança, dali para frente, foi necessária. O ritmo de trabalho diminuiu, o esporte teve de mudar por uma questão física – Nieto tem, hoje, dificuldades na produção de saliva –, a alimentação ficou mais regrada e as visitas ao médico mais constantes.

Na vida e no jogo

Do squash, o empresário passou para o golfe, que já havia praticado quando era jovem e ainda morava na Argentina. Com a volta da prática esportiva, também veio a sabedoria proveniente do esporte. “O que torna menor a incidência de erro? O treino. É como na vida profissional: quanto mais você estudar, melhor vai ser”, diz.

“O futebol dá uma visão extraordinária do trabalho em equipe. Mas no golfe você não joga contra os outros, joga contra você mesmo e o campo. O futebol é emocional. O golfe, racional.” A estratégia, entender que nem sempre a mesma ferramenta resolve os problemas, a ética e o valor dos relacionamentos foram características trabalhadas com o golfe.

Os esportes como um estilo de vida é o que guia Nieto. Seja assistindo futebol, jogando golfe ou acompanhando modalidades pela TV, Nieto sempre tem a prática por perto e acredita que só com ela é possível manter a saúde mental em uma sociedade tão competitiva. “Eu sempre preferi ser agressivo. No golfe, você aprende que, às vezes, dar um passo atrás pode ser importante para progredir.”

por Carol Patrocinio | fotos Felipe Gombossy
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