Sorriso de corpo inteiro

 
A saúde bucal está ligada à saúde de todo o corpo, e é influenciada tanto por fatores internos quanto externos. Este é um dos preceitos da Odontologia Biológica que combina diferentes modalidades de terapias complementares, como a Medicina Tradicional Chinesa e a acupuntura, até ciências modernas como a osteopatia, homeopatia, homotoxicologia, ortomolecular, entre outras.

Com mais de 20 anos de experiência clínica na área e conhecimentos adquiridos por todo o mundo, a odontologista biológica Sofia Cattaccini elucida algumas das maneiras pelas quais podemos alterar o equilíbrio de nossos organismos por meio da falta de cuidados com a saúde bucal.

One Health Mag | Um problema da boca pode refletir no corpo inteiro?
Sofia Cattaccini | Acredito que temos que trabalhar multidisciplinarmente, porque aquilo que está errado na boca, pode ser um espelho do que está errado no rim, no estômago, em outro lugar do paciente. Nós somos um só, não somos uma soma de partes, então tentamos trazer isso para a odontologia também. Trabalhamos com médicos, com fisioterapia, porque a boca também está ligada à postura. A nutrição também faz parte, porque temos que observar aquilo que comemos, nós somos feitos de micronutrientes, então a boca ajuda a mastigar o alimento e depois temos que digerir tudo isso. Para a gente ter uma saúde boa esse nutriente tem que chegar dentro da célula, então são muitas as etapas que envolvem a saúde integral. Nos tratamentos, as práticas complementares nos ajudam a modular as inflamações e melhorar as respostas do corpo. Sua cicatriz, sua neoformação óssea vai ser melhor, tudo melhora. A gente trabalha também essa questão da postura ligada à boca. Você ajuda a restabelecer o sistema imunológico e a adquirir o equilíbrio.

One Health Mag | Você poderia citar um exemplo de como podemos perceber isso na prática?

Sofia Cattaccini | Aliado ao estudo da acupuntura, nós sabemos que cada dente tem ligação com um meridiano, com um órgão. Então pode ser que você tenha um problema em um dente, por exemplo, um canal que aparentemente está bem, mas em uma res- sonância podemos encontrar um foco subclínico, um ponto de contaminação. Eu brinco que os focos são como vampiros que estão roubando sua energia todos os dias. Você não sente nada, mas no momento em que o seu sistema imunológico dá uma enfraquecida, ele pode ser decisivo. Aquilo pode ter uma ligação com algum órgão, que está fragilizado, e naquele local pode surgir algum problema. Pode ser uma “ite” qualquer, uma nefrite, uma otite, ou um mioma, um câncer, uma doença degenerativa, pode ser qualquer coisa. Uma ombralgia também é muito comum estar relacionada a um problema na boca, porque as regiões estão diretamente ligadas, então se melhora a boca pode melhorar a região do ombro.

One Health Mag | De que outras maneiras um problema na boca pode afetar a postura?

Sofia Cattaccini | Você pode estar tendo uma cefaleia, uma dor ou uma enxaqueca, pura e simplesmente porque tem um ponto alto em um dente, na boca. Isso vai alterar a rotação de vértebras cervicais, vai gerar torções em cadeias musculares, e de repente o joelho vai doer por causa de um dente. Este é um exemplo de como a saúde bucal afeta a postura. A posição da arcada dentária também pode afetar o equilíbrio e também mostra como tudo está interligado.

One Health Mag | Qual o papel da boca em intoxicações por metais pesados?

Sofia Cattaccini | Existem duas questões principais aí. Primeiro, que você pode apresentar alterações no sistema por ter, por exemplo, uma gama de ligas muito diferentes na boca. Com isso você vai fazendo contraturas, campos eletromagnéticos perto do cérebro, deixando essa pessoa com distúrbios do sono, zumbidos no ouvido, vertigem, até mesmo vascularização do cérebro.

Além disso, o mercúrio, por exemplo, é tóxico. Muitas pessoas podem apresentar uma infinidade de sintomas por conta disso. É fundamental trocar essas amálgamas pelos materiais inofensivos que temos hoje.

One Health Mag | Qual sua opinião sobre as pastas de dente com flúor?

Sofia Cattaccini | Como qualquer coisa que exista, mesmo que ela seja aparentemente inócua, o que vai diferenciar o remédio do veneno é a dose. O flúor é superinteressante. O problema é quando tenta se aplicar uma medida que atinja todas as populações uniformemente.

A água de São Paulo, por exemplo, é enriquecida com flúor. A dose pode passar do ideal para muitas pessoas. E não é só a água, porque toda comida é feita com essa água, aí tem também na pasta de dente, agora estão querendo colocar no sal. É um exagero. Você pode danificar seus dentes, ter uma série de problemas por conta dessa intervenção. Não recomendo pastas com flúor, já temos o suficiente na alimentação.

por Daniel Cunha | fotos Camila Fontana
Entrevista