Proteção invisível

 

Em 2005, quando o governo da Suécia decretou o uso obrigatório de capacetes em crianças de até 15 anos a bordo de bicicletas, as amigas Anna Haupt e Terese Alstin haviam acabado de se formar em Engenharia. “Foi o grande assunto daquele ano, porque levantou uma discussão sobre a necessidade dos adultos usarem também. E ninguém gostava daquelas coisas feias de poliestireno”, conta Anna.

O desagrado em relação ao design do capacete convencional – desengonçado, pontudo, volumoso e pouco eficiente – levou a dupla a investir sete anos em uma série de pesquisas de tecidos inteligentes e resistentes a impactos, combinada a testes de sensores. O trabalho foi ficando sério e se transformou em uma tese de mestrado em desenho industrial pela Faculdade de Engenharia de Lund. “Produzir um capacete de bicicleta com o qual as pessoas tivessem alta proteção contra traumas e ficassem seguras, felizes e bonitas era nossa ideia principal, e o laboratório da universidade foi o lugar perfeito para descobrir se o modelo tradicional poderia ser melhorado”, diz Anna. A resposta para esta questão, segundo ela, foi positiva.

No ano passado, a dupla lançou em Mälmo, cidade ao sul da Suécia, um airbag em forma de colar que funciona como um capacete inteligente. Para começar, ele não atrapalha a visão do usuário. Colocado em torno do pescoço e costurado em nylon e tecido impermeável respirável, ele é acionado eletronicamente em casos de emergência e funciona por meio de sensores internos, como acelerômetros e giroscópios. Os primeiros são capazes de sentir as forças aplicadas a um corpo e suas mudanças de velocidade, valendo-se da mesma tecnologia encontrada em celulares touchscreen; já os últimos são equipamentos sensíveis à variação da força de gravidade, o que lhes permite sentir quedas ou impactos que joguem o usuário para fora da bicicleta.

Muita pesquisa: Terese (à esq.) e Anna (à dir.) levaram sete anos para desenvolver o produto

 

Colocado em torno do pescoço, o Hövding é acionado eletronicamente em casos de emergência e funciona por meio de sensores internos

 

Mais segurança

 

“Quando o capacete é ligado, os sensores passam a monitorar constantemente os movimentos do usuário. Eles acompanham as evoluções normais do pedal e as subidas e descidas da bicicleta, além da passagem por degraus e lombadas. Mas também percebem ações anormais, que podem acioná-lo”, explica Anna Haupt. Se isso acontece, os equipamentos enviam sinais para o insuflador interno, que preenche o airbag com gás hélio e transforma o colar em uma “cobertura” salva-vidas.

De acordo com as criadoras, o tecido de alta performance consegue absorver choques com três vezes mais eficiência em comparação aos capacetes tradicionais – em outras palavras, o impacto na cabeça e no pescoço é três vezes mais suave. No momento do acidente, o airbag permanece inflado por alguns segundos, para que possa suportar uma sequência de batidas, ao mesmo tempo em que estabiliza pescoço e cabeça e protege a nuca.

Feito de acordo com especificações europeias de segurança, o capacete – também chamado de Hövding (nome que batiza a empresa de design fundada pelas engenheiras) – já foi aprovado pela União Europeia e está à venda por 499 euros no site da marca (www.hovding.com).

“Produzir um capacete de bicicleta com o qual as pessoas tivessem alta proteção contra traumas e ficassem seguras, felizes e bonitas era nossa ideia principal” – Anna Haupt

 

 

por Olívia Fraga - fotos: Divulgação
Techmed