Pele protegida

 

Um diagnóstico rápido e preciso é fundamental para aumentar a possibilidade de cura e o aumento da sobrevida dos pacientes que têm câncer. Por isso, todo método que facilite ou agilize a apresentação dos resultados sobre a malignidade e as características da doença representa um grande avanço para médicos e pacientes.

Recentemente, o Brasil iniciou os testes de um equipamento que auxilia na diagnose do melanoma cutâneo. Trata-se da tomografia de coerência óptica (OCT, na sigla em inglês), que tem sido realizada no A.C. Camargo Cancer Center e apenas em outros 15 centros ao redor do mundo.

O equipamento, comprado em parceria com a FAPESP, foi criado para aliviar as limitações do exame dermatológico na realização do diagnóstico das lesões pigmentadas da pele. Ainda em fase experimental, esse tipo de tomografia emite um laser de baixa frequência (cerca de 1,3 mil nanômetros) que produz imagens bi e/ou tridimensionais da morfologia do tecido biológico em tempo real e com microrresolução. O resultado final é semelhante ao obtido em avaliações histopatológicas, feitas com tecido obtido por meio da biópsia. Mas com duas vantagens indiscutíveis: não causar nenhum tipo de dano ao paciente e demorar pouquíssimo tempo, apenas dois minutos.

A OCT também apresenta aspectos positivos quando comparada a outras ferramentas auxiliares no diagnóstico do câncer de pele, caso da microscopia confocal (que demanda 40 minutos). Esse último método até oferece mais resolução, ao usar um laser de 850 nanômetros para aumentar em até 900 vezes a lesão. Contudo, não entrega boas respostas com relação à extensão do dano presente na pele, já que alcança no máximo 1,5 mm.

No caso da tomografia de coerência óptica, as imagens captam cortes transversais que podem ter até 2,5 mm, o que corresponde à parte mais profunda da derme. Isso abre possibilidade para que sejam detectados com mais facilidade até mesmo tumores recidivos e facilita a programação de cirurgias. Aliás, um impacto indireto da adoção desse tipo de tomografia é a possibilidade de redução de intervenções cirúrgicas desnecessárias, já que ela pode ser usada justamente para esclarecer as lesões duvidosas.

Disseminar o uso da tecnologia, porém, ainda esbarra em algumas questões. Como se trata de um recurso novo, ainda é preciso validar 100% a acurácia diagnóstica e estabelecer parâmetros que ajudem os médicos a lerem as imagens. A expectativa, porém, é de que as pesquisas em andamento possam ajudar a sanar ao menos as questões técnicas. Assim, a OCT poderia se tornar muito eficaz, já que o diagnóstico tardio do tumor cutâneo torna o avanço da doença bastante agressivo, situação em que quimioterapia e radioterapia podem ser pouco efetivas.

Por Renata de Carvalho
Techmed