Fazendo sua cabeça

 

A princípio, o mote deste texto pode até parecer um clichê. Afinal, quantos métodos “infalíveis” para o combate à calvície surgiram no mercado de cosméticos nas últimas décadas? Porém, agora parece que existe mesmo uma luz no final do túnel para quem deseja combater o problema de frente. Uma luz vermelha, na verdade, produzida por leds e lasers.

Estamos falando do iGrow – que apesar do nome, não é mais uma inovação da famosa empresa de tecnologia Apple. Basicamente, o aparelho é um capacete com visual robótico que promete ativar o crescimento de cabelos. Produzido pela empresa norte-americana Apira Science, o produto acaba de receber a aprovação da Food And Drug Administration (FDA), agência que regulamenta todos os alimentos e remédios disponíveis no mercado dos Estados Unidos.

Algumas explicações são necessárias antes de detalharmos o funcionamento do iGrow. Primeiro, não é todo mundo que pode utilizar o aparelho. Sua aplicação é indicada exclusivamente para o tratamento da Alopecia Androgenética, que é uma condição genética que atinge os homens a partir da adolescência e as mulheres na pós-menopausa.

Em linhas gerais, a Alopecia Androgenética é causada pela ação de hormônios masculinos (testosterona) nos folículos pilosos, responsáveis pela formação dos pelos de nosso corpo. Ao entrar em contato com uma enzima chamada 5-alfa-redutase, a testosterona cria uma terceira substância denominada de dihidrotestosterona, que, por sua vez, provoca uma diminuição do funcionamento dos folículos pilosos, fazendo com que eles fiquem mais finos e, consequentemente, produzindo menos cabelos. Vale lembrar que, por ser causada pela testosterona, a Alopecia Androgenética tem maior incidência nos homens do que em mulheres.

É exatamente em cima desses folículos prejudicados que o iGrow age. Por meio de uma recalibração do funcionamento das células, o aparelho faz com que os fios voltem a engrossar, produzindo mais volume de cabelo. Isso significa que, em casos de calvície severa, ou seja, quem já perdeu quase que completamente os cabelos, o tratamento não surtirá efeitos. Em outras palavras, se você está mais parecido com o Jude Law do que com o Bruce Willis, ainda dá tempo.

Para facilitar essa compreensão de quem pode se beneficiar ou não, a Apira utiliza a tabela de classificação Hamilton-Norwood (veja quadro). Segundo o presidente da empresa, Nicholas Brox, o iGrow apresenta seus melhores resultados nos pacientes situados entre as classificações IIa e V.

Como a mágica acontece

O iGrow realiza um processo chamado de Low-Level Laser Therapy (LLLT) ou, em português, Terapia com Lasers de Baixa Intensidade. “O iGrow utiliza lasers de baixa intensidade e não invasivos para energizar as células dos folículos pilosos”, afirma Jeff Braile, presidente da Divisão Médica da Apira.

Em resumo, quando a luz do laser é aplicada em nosso corpo, as moléculas-alvo aumentam seu nível de energia. Com isso, elas reagem para liberar esse excesso, o que causa adaptações em suas características. No caso do tratamento capilar, a Apira explica que a aplicação do laser calibra o tempo de vida da célula, fazendo com que elas voltem a produzir mais pelos.

Tempo de uso

De acordo com a empresa, é preciso realizar um tratamento contínuo para apresentar resultados. A utilização do iGrow – que possui 51 pontos de laser – deve acontecer de três a quatro vezes por semana (em dias alternados), em sessões de 20 a 25 min. Os resultados costumam aparecer entre quatro e seis meses de tratamento. Ainda de acordo com a fabricante, uma vez que o novos cabelos aparecerem, ainda será necessário fazer uma manutenção do tratamento, com uma ou duas sessões semanais.

Para Nicholas Brox, outro destaque do aparelho é a sua comodidade. Além de permitir que o usuário o utilize em qualquer ambiente, ele é equipado com fones de ouvido e entrada para iPod, iPad e iPhone, possibilitando ouvir música enquanto realiza a sessão.

“O iGrow disponibiliza um tratamento efetivo que antes era acessível apenas em aparelhos profissionais. Nós investimos em inovações de engenharia e aplicamos ciência para desenvolver algo que os consumidores possam usar na privacidade de seus lares”, afirma o presidente.

Nos Estados Unidos, o produto está disponível no mercado por um preço médio de US$ 695 e pode ser adquirido online no site da empresa (www.igrowlaser.com). No Brasil, o valor fica na casa dos R$ 2.400.

por João Guimarães
Techmed