Estresse: nem sempre um vilão

Normalmente associado aos males da vida moderna, o estresse tem um lado positivo— desde que não se torne uma constante

 

Quando que se pensa em estresse, é comum virem à mente situações negativas: falta de tempo, nervosismo, dor de cabeça, perda de controle, atrasos. Mas ele tem, antes de tudo, uma função positiva. É o que afirma o cardiologista Carlos Alberto Pastore, professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
“O conceito popular de estresse é um pouco equivocado, porque ele nem sempre é ruim. É uma resposta fisiológica a um confronto do dia a dia, é uma forma até de proteger o organismo. Todas as pessoas precisam de estresse para enfrentar a vida”, defende.

Como o corpo funciona durante o estresse
Por resposta fisiológica, Pastore refere-se às reações do organismo a uma situação desafiadora. “O estresse é a liberação, pela glândula suprarrenal, dos hormônios adrenalina e cortisol”, explica. “A adrenalina traz os sintomas de palpitação, falta de ar e pressão levemente elevada, enquanto o cortisol aumenta a taxa de açúcar no sangue e retém líquidos.”
Toda essa repercussão, segundo o cardiologista, é moderada e dá o impulso necessário para que encaremos os desafios cotidianos e encontremos formas de resolvê-los.
“Mas tem que ter começo, meio e fim. Aquela descarga de estresse precisa ser encerrada quando a questão que se apresentou acaba. Se virar uma constante, aí sim o estresse passa a ser bastante negativo”, alerta o especialista.

Ninguém pode “depender” do estresse
O grande problema surge quando a pessoa vive em um estado de estresse contínuo, ou seja, se estressa com qualquer pequena situação corriqueira. “Estar estressado sem ter um objetivo aparente, cobrar-se demais e viver ansioso à toa é o que torna o estresse ruim. Isso adoece o corpo e a mente”, diz Pastore.
A resposta física vem por meio da elevação dos sintomas que deveriam ser amenos: o quadro cardiovascular sofre alterações, a pressão sobe mais do que seria considerado saudável, são sentidas palpitações, o organismo retém líquidos em excesso, a imunidade fica baixa.
O cardiologista coloca em termos mais práticos: “Quando o estresse fica crônico, surgem doenças como rinite, quadros infecciosos de repetição, herpes e gripe, entre outros males de saúde. Além disso, o estado mental é afetado. O humor muda negativamente, a pessoa fica ansiosa demais, com um cansaço fora do comum.”

Como lidar com o estresse
Ao perceber que seu corpo e sua mente têm reagido de forma constante e exagerada aos obstáculos do dia a dia, o ideal é parar e recalcular a rota. Muitas vezes, de acordo com Pastore, é preciso procurar ajuda psicoterápica para identificar exatamente a origem de tamanho estresse.
A partir daí, parte-se para a ação. O especialista recomenda a adoção de atividades físicas diárias e meditação, pois elas aliviam os efeitos dos hormônios que sinalizam o estresse.
Fazer uma breve caminhada depois do almoço e sair do escritório por 10 minutinhos para tomar um café à tarde já é o suficiente. “Separando estes pequenos momentos para si, é possível desligar a chavinha que causa o estresse”, finaliza Pastore.
A saúde agradece e o estresse deixa de ser um vilão em sua vida.

 

CARLOS ALBERTO PASTORE, cardiologista,
médico credenciado na rede One Health Black

Foto: Thinkstock
One World