Diagnóstico sem stress

 

Não é fácil ficar imóvel e sereno dentro de um aparelho de ressonância magnética. O espaço apertado angustia os pacientes que precisam passar por ele. Para muitos, só a ideia de entrar no equipamento já causa arrepios, e os momentos que antecedem ao exame são recheados de ansiedade. Se você sofre com esse problema, há uma boa notícia: além de estar cada vez mais avançada em termos de diagnóstico, a tecnologia médica também está evoluindo para trazer mais conforto aos pacientes. Em outras palavras, a experiência vai ficar bem mais agradável.

TechmedA mudança começa no próprio ambiente dos hospitais e laboratórios onde estão instalados esses equipamentos. Para espantar aquele clima frio e desconfortável da sala de exames, alguns aparelhos contam com projetores que exibem nas paredes imagens e vídeos relaxantes durante o procedimento. O Insight, da Philips, por exemplo, oferece até projeções infantis para os pacientes mirins mais agitados. “Tudo é feito com iluminação diferente, para deixar o ambiente mais sossegado”, conta Aldo Landaeta, gerente sênior de Marketing Brasil da marca.

Além das imagens, o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, oferece fones de ouvido nos quais se ouve uma trilha sonora calmante. “Também fizemos salas com cantos ovalados para dar a sensação de espaço maior”, destaca Marcos Roberto de Menezes, coordenador médico do Centro Diagnóstico do hospital.

O laboratório Alta Excelência Diagnóstica, também em São Paulo, tem um aparelho chamado Cinema Vision. Composto por óculos especiais e fones de ouvido, ele traz um menu de entretenimento repleto de filmes, musicais e desenhos animados.

 

Adeus, sufoco

 

TechmedAquela sensação de aperto que se tem dentro das máquinas de ressonância e tomografia também está com os dias contados. Novos equipamentos, como o Magnetom Espree, da Siemens, presente em hospitais paulistanos como o Sírio-Libanês e Albert Einstein, foram construídos com uma largura maior, de 70 cm.

Isso permite acomodar mais confortavelmente pacientes acima do peso. E, como é mais curto do que os aparelhos tradicionais, o Espree ainda permite que o paciente fique com a cabeça para fora durante o procedimento – um alívio para os claustrofóbicos. Outra frente de trabalho da indústria é para reduzir os ruídos que fazem os pensamentos voarem em uma direção pouco indicada. A própria Siemens criou um equipamento, o Avanto, que emite 90% menos ruído que as máquinas semelhantes dos concorrentes.

 

Para espantar a dor

 

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O Vein Viewer, acima, cria um mapa das veias e o projeta sobre o braço do paciente, tornando mais clara a localização delas no corpo

Inovações também estão chegando para quem tem pavor de agulhas e veias difíceis de serem encontradas. Não, as agulhas não serão substituídas. Mas encontrar as veias que receberão a picada ficou mais fácil. Desenvolvidas para atender a quem tem tons escuros de pele ou sofre de obesidade conseguem enxergar as veias e facilitar o trabalho dos enfermeiros.

Aparelhos como o Vein Viewer e o AccuVein emitem raios infravermelhos para detectar a temperatura da pele e criar um mapa dos vasos sanguíneos do paciente. Esse mapa é então projetado sobre a pele. Em vez de picar várias vezes a região em busca da veia certa, causando lesões e hematomas, o médico ou enfermeiro vai direto ao ponto. Para as crianças, que choram só de perceber a injeção se aproximando, a visão do mapa sobre a pele já é uma boa distração.

Exames dolorosos, como a mamografia, também estão na mira dos fabricantes de soluções em healthcare. Além do uso de imagens e sons para proporcionar relaxamento, em breve os pacientes poderão escolher cheiros agradáveis para tornar a experiência menos traumática. Um protótipo desse equipamento, que por enquanto vem sendo chamado de Patient Experience Room, está sendo desenvolvido pela GE e demonstrado em eventos de radiologia mundo afora. “A ideia é humanizar ainda mais o atendimento”, afirma Rima Alameddine, gerente de Detection & Guide Solutions da marca para a América Latina.

 

Um conceito amplo

 

TechmedA tendência de proporcionar relaxamento ao paciente antes e durante o exame tem sua razão de existir. Para Aldo Landaeta, da Philips, diminuir o sofrimento dos pacientes mais sensíveis ajuda também a agilizar a realização dos exames. “Eles não precisam ser repetidos e as imagens ficam melhores. Como o ambiente fica mais agradável, o índice de satisfação do paciente é grande e ele acaba sempre voltando ao mesmo local quando tem de passar outra vez pelos procedimentos”, comenta.

Regina Chammas, médica especialista em ultrassonografia do laboratório Alta Excelência Diagnóstica, acredita que a questão do conforto é ampla e não se resume apenas à tecnologia. “Sabemos que a pressão arterial pode subir diante de uma situação de stress, podendo até contraindicar a realização de algum exame. Portanto, quanto mais ela for minimizada, maior será o benefício para o paciente”, assinala. A meta agora, para os profissionais de saúde, é transformar esses momentos, que antes eram tão temidos, em experiências agradáveis. Boas ideias para torná-las realidade não faltam.

por Ana Luiza Silveira - fotos: Divulgação
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